quinta-feira, 11 de abril de 2013

A promessa

Digo para o Ar (depois de contabilizar a maluqueira de dois fins de semana no tofo)
- estás autorizado a negar todo o tipo de dramas, para sairmos de cá. Ouviste bem?! Mesmo que faça birra, que refile. Tens sempre que dizer que não.

Ele- Sim, até porque vamos gastar muito em Portugal.

Eu- Bom, mas não conta irmos a Nelspruit, que são compras para casa... (já a afiambrar-me às lojas de lá)

O espertalhão responde logo: Sim, vamos mas não ficamos lá. É iri e vir no mesmo dia.


Snifffff

Dia mundial de Parkinson

Infelizmente, o meu pai sofre de Parkinson.

A doença foi detectada há mais ou menos 2 anos, e ao contrário do que nos disseram, evoluiu rapidamente.
Apesar de o meu pai, estar bem medicado e apoiado, no inicio não foi assim, tivemos que fazer tudo particularmente, em exames e consultas para podermos entrar no serviço nacional de saúde já com o diagnostico feito. Algo que custou uma fortuna aos meus pais.
Quanto à família  acho que não somos devidamente informados, nem ajudados. Quando ouvimos a palavra Parkinson, ficamos assustados, e pensamos logo na falta de qualidade que uma pessoa pode ter.
O meu pai, tem dificuldade a andar e no equilíbrio  Se custa vê lo assim?! Claro, ver que o meu pai, que está a perder uma das faculdades, e que mais tarde ou mais cedo perderá o andar, é algo que sempre custará ver aos olhos de uma filha. Mas garanto, que em casa, o meu pai não é tratado como doente. E, eu faço questão de ser prática. E tanto eu, como as meninas (sem contar com a minha mãe e irmão), falamos com naturalidade, e tentamos aprender com a doença.
Não pode ir ao hospital de carro, vai de táxi ou Bus.  Não pode andar muito, anda pouco. Não se equilibra, é ter uma bengala. O que interessa é que o meu pai, continue a gostar de viver. E ele gosta, gosta muito. 
Gosta tanto que veio para cá, tentou fazer a vida o mais normal possível e assim que chegou a Portugal, foi uma semana para o seu Gerês.

Por isso, é viver, e aproveitar enquanto cá estamos.

E paizix, tu sabes, mas nunca é demais dizer. Adoro-te.







O porquê de não achar piada ao Dia da mulher Moçambicana






Atenção, este dia aqui é importante. Até é feriado nacional. Mas para quê? Para sermos consideradas empregadas. Porque o Homem ainda não faz nada. Diz até que a mulher pode trabalhar, mas que é a mulher que tem de fazer tudo, porque senão o homem arranja outra.
E a minha questão, e se for a mulher a arranjar outro?! Assim, mias colaborador, e mais participativo?! Ai, não, que isso não pode ser.

Uma palhaçada é o que é!

Era encher o mail do senhor com respostas revoltantes.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Nessa a Gourmet

Inspirada pelos múltiplos blog de boas cozinheiras, decidi tirar algumas receitas fáceis para fazer.
Aqui há de tudo (ao contrário do que se pensa), o problema são mesmo os preços das coisas mais "exóticas", como queijo flamengo, e queijo brie, algum tipo de peixe, a carne, fiambre de porco entre outros

Para amanhã tenho marcado um encontro no supermercado para conseguir fazer algumas das receitas.

(bruschetta com tomate, feita por mim, ein?!)


O que preciso

Estou a precisar de alguém com tempo e gosto, que venha cá para casa e que me ensine a cozinhar, coisas rápidas, saborosas e fáceis. E preferencialmente coisas diferentes, porque o básico já eu sei.

Há alguém?! Ofereço estadia em troca.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Esta África que eu adoro

A  "bicheza" por estes lados é maravilhosa.

Há um ano seria capaz de dar gritos por ver isto,


Agora digo "deixa que come os mosquitos".

Depois vejo o rei dos caracóis, e tiro fotos, sem ficar enojada.



Ora, vou ali tirar os cabelos brancos e tornar-me numa loira escura.

Informação morbida

Informo que o morto, aquele que eu vi ontem na estrada às 19.30h, continuava lá as 4 da manhã de hoje.

A isto chamo sensibilidade.

Pérolas

Somos mandados parar pela policia.

No final da conversa, elogiamos a educação do senhor dizendo que faz falta essa qualidade da policia em Maputo.

E diz ele "Ah, já trabalhei na Cahora Bassa, e convivi com muitos brancos"
Ar: "com Brasileiros?!"
(desatei logo a rir)
Policia assim para o aborrecido "não, brancos portugueses"

Vendo bem, podia ser mais nacionalidades. mas afinal branco significa ser português.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Um muito Obrigada

Ju...

Nem sei como te agradecer.

Aqui a Ju, não me conhece pessoalmente, seguimos ambas os blogs. Ela adora Moçambique, e eu adoro o bom astral que ela emana, garanto-vos que é boa pessoa, sem nunca ter visto a cara dela, saber onde mora, nem saber nada particularmente sobre ela. Sei pelas fotos, pelo que escreve, e a maneira como vive, simples. 
Como ando sempre a queixar-me dos preços exorbitantes dos livros nesta terra, ela ofereceu-se para me enviar alguns  livros que já tinha lido.
Um gesto de boa pessoa, algo que já não se faz nem se pratica. Gostei muito, mas mesmo muito do teu gesto. Não estava nada à espera.

Para quem quiser enviar roupa, livros ou material escolar, é contactar-me. Tenho muita gente que aceita com agrado. A minha mãe já enviou a roupa das meninas que não servia, mas precisamos de mais, muito mais. Vamos lá todos ajudar. Se todos fizerem um pouco, iremos ajudar umas quantas famílias.

Os livros que a Ju enviou, eram mesmo para mim, literatura para mim.

Prometo lê-los, e guardá-los a todos com carinho.

Ps- Assim que chegarem, envio a foto.

Ps1- Para a semana, inicio o pedido da Sakina, vou ver preços e ver quanto poderemos juntar. Quem sabe se não sobra algum e poderemos comprar comida para outra família.

As estradas e os caminhos por cá...

Acho sinceramente que as estradas de Maputo estão muito piores do que a estrada nacional do resto do país.
Infelizmente aqui não há auto-estradas, tornando as viagens bem mais longas e perigosas, uma vez que só há uma faixa de rodagem para cada lado, e nas localidades é andar a 50km hora.

Hoje vimos, um morto na estrada. Quando digo que vi, bem, estava tapado com uma capulana, mas vimos a perna, a mão e o sangue. Fiquei chocada, com a visão. o Ar ficou surpreendido quando disse "está um morto na estrada", e pensava que estava a gozar, mas não.

Depois apanhamos os verdadeiros "chico-espertos" que passam tudo e todos e não se preocupam com os que estão na faixa contrária.

E depois vemos isto....


À noite, há muitos carros avariados, e com a falta de sinalização, colocam ramos na estrada, para que possamos saber que há avaria logo ali à frente. Há também muitos carros sem luzes.

Desta viagem vimos dois camiões virados, e um que falhou a ponte de xai-xai (aquela que caiu com as cheias e puseram remendos).


Um Esclarecimento

Tendo em conta que tem aparecido leitores que não me conhecem, e como tal não sabem o que estou a gozar, a elogiar, e a falar a serio.
Passo a explicar:
- adoro viver vá, mas sim, há de facto muitas diferenças, e gosto disso assim.
- Sim sou portuguesa, e ao contrário de muitos não tenho dupla (nem se pode ter, não se esqueçam), e como tal comento principalmente essas diferenças mais  acentuadas.
- Quanto aos portugueses serem hospitaleiros, são até certo modo. Vivi em várias zonas do país e garanto que não o são em todos os locais. E quando não falamos, não é por falta de educação, é simplesmente a maneira de ser, como sermos educados a não sorrir para estranhos. Não digo o pedir desculpa, e o pedir licença  ou pedir ajuda, mas sim sentarmo-nos e falarmos, não é assim. E basta irmos aos restaurantes onde estão portugueses, sempre os mesmos e vejam quantos se cumprimentam.
- Quanto a gozar com portugueses, moçambicanos, alemães, sul.africanos e afins, sempre o fiz. Quem me conhece, sabe perfeitamente que gozo. Até com a minha naturalidade. Por isso se eu própria gozo comigo, posso gozar com outros.
- Ponho fotos, daquilo que acho giro, cómico, e até criticas.
- Gozo com o governo português, e a parvalheira do povo português com o futebol e religião.
- Critico a policia moçambicana, rio-me com frases que me dizem, e aprendo com o modo de viver de cá.


- Gosto de ter leitores "anónimos" e estranhos. Mas como tal, ao não me conhecerem, pensam que levo a mal aos comentários negativos, e mais chocantes. Sempre disse que todos são bem vindos, quem vier por bem. Gosto que leiam, mas não confundam, aqui vai haver sempre uma visão de portuguesa emigrante. E que apesar estar mesmo muito bem adaptada, há sempre coisas que ainda chocam, e que gosto de mostrar, afinal o blog foi feito para todos (os que me são próximos) lerem as minhas aventuras.

- Este blog já me trouxe pessoas que hoje sou próxima, já ajudei pessoas em dificuldade, já fiz publicidade, já falei com todos os que queriam emigrar. Nunca mal tratei ninguém.
Gozar com Moçambicanos ou portugueses, não é pior do que gozar com chineses ou espanhóis  e eu faço. Apenas não tenho leitores dessas zonas.

- Penso que há uma mania da perseguição, coisa que neste blog nunca existiu, nem haverá da minha parte.

Posto isto, espero que continuem a aparecer, que consigam rir, que me possam ensinar, e que me mostrem o caminho, porque como já Lenine dizia "aprender, aprender, aprender sempre". E vou continuar por cá, enquanto der piada, porque quando deixar de sentir isso, deixarei de escrever.

Simplicidade das coisas

Poder comer línguas de gato.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Diferenças Culturais

Quando nasce um bebé em Portugal, recebemos este tipo de mensagem:

"Olá eu sou o ..., nasci com ...kg. Os meus pais estão muito babados e eu sou muito sossegado"

(adoro a parte de ser a criança a falar...)

Aqui recebo a mensagem: 

"já nasceu"

assim friamente, sem nomes nem o peso


Viver em África

Ontem choveu o dia todo.
E tive esta visão...


Eu recebi uma prenda

E que prenda, uma Candy bag.

Directamente do meu adorado esposo.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Tudo uma cambada de doidos

Então não é que formaram um grupo no Facebook, do meu 9ano?!

E o mais giro é que estamos lá todos, penso que faltam no máximo uns 3 ou 4.

E todos falamos como se tivesse sido ontem. Eles são fotos, eles são memórias, eles são piadas. 
Já há planos para encontros e tudo. E vendo bem, nunca ficámos totalmente sem nos falarmos, aqui ou ali, lá íamos sabendo novidades uns dos outros.

E neste momento. Até parece que não crescemos, não casámos, que não há filhos, nem trabalhos. No grupo há refeitórios, professores, piadolas e claro as roupas dos anos 90, os jogos de futebol e os passeios de turma. 

Por hoje já fiz uma viagem à minha adolescência  e posso dizer que fui mesmo muito feliz nesses tempos. Poucos podem dizer que passados uns 17 anos, ainda falam com colegas de escola e que todos, mas todos mesmo gozam e riem à custa de todos.

Constatações

estou viva...

Depois de 8 horas para fazer 400km, é uma prova da minha resistência.
E se disser que daqui a 48 horas regresso, e pensar que sou doida, que não tenho juízo.

O que eu adoro é mesmo praia.
Se me esquecer que demora 8 horas a viagem, e que estarei lá 3 dias, tudo parece uma maravilha.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Constatações

Noto que estou diferente, quando estou num restaurante e a comida demora mais de 1 hora a chegar, e eu não refilo. Quando os pedidos chegam trocados, eu não desatino. E que é muito raro eu irritar-me pela falta de qualidade no serviço.

Noto essa diferença, quando tenho visitas de Portugal, e elas estão constantemente a dizer "como é que aguentas?", na qual eu respondo "aqui é sempre assim, nem vale a pena!"


Pérolas visionárias

"Mozambiçue"

(Barra lodge Tofo)